Parte 1
Tudo tem um começo
Era uma noite de tempestade, sem nada muito especial excepto a própria tempestade. Era uma cidade grande e cheia de desenvolvimento e suas próprias celebridades, mas não era uma capital, muito menos vibrante. Victor era um jovem senhor, de muito boa formação e vinha de uma família com ótimas condições de vida. Os pais eram de classe média e foram ganhando notoriedade ao fazer certeiros investimentos em terras e papéis. Dedicaram um cuidado muito especial na educação do seu filho único. Era excelente alino na escola, nos seus dois cursos de faculdade era aprovado com louvor por seus professores. E seguiu seus estudos em cursos cada vez mais avançados. Mas parecia que conhecimento nunca era o suficiente, como uma sede muito voraz que não sessa mesmo tomando muita água.
Victor Rocha era apenas uma pessoa socialmente cinza, jovem demais para ser velho e velho demais para ser descolado. Um brilhante cientista e programador, ativista digital pela causa científica. sentou-se em seu laboratório, determinado a criar algo que mudaria o mundo. Primeiramente era cientista teórico, por formação multidisciplinar. Um dos mais brilhantes e astuto aluno que já passara por famosas universidades ao redor do mundo. A programação veio a sua vida por necessidade, e ele era igualmente bom. Ele escrevia generosos programas para auxiliar na resolução dos seus, cada vez mais, complicados problemas de ciência. Em nenhuma das duas áreas existiam soluções como as dele.
Sem nenhum destaque nas rodas e festas, que sempre estavam cheias de pessoas vazias. Apesar de possuir um carisma minimamente aceitável, frustrado por esse perfil irrelevante e imperceptível, o que sempre foi agravado por sua inteligência absurdamente afiada. Cada vez mais com menos amigos e colegas. Cientista e pesquisador, um intelectual de primeira linha, mas com pouca didática em festas e habilidades sociais, via seus assuntos perderem o interesse rápido quando tentava alguma interação interpessoal.
Profundamente decepcionado estava em ver o resultado de seus estudos tornarem-se fake news e pseudociências nas mãos imundas das mesmas pessoas que não se interessavam por suas verdades reveladas. Ele cansou de tentar preencher as mentes vazias com conhecimento e ver isso sendo substituído por dancinhas com trilhas sonoras obscenas e falsos profetas científicos em redes sociais cada vez mais sem propósito. Ele se tornava cada vez mais introvertido e antissocial e parecia nem se importar muito com isso. Ele era um desajustado.
Um dia sem muita importância em conversa com um de seus professores de PhD o assunto surgiu como um desabafo, em como era um sentimento inverso de ser a pessoa com mais conhecimento e mais interessante de qualquer local que fosse, mas a opção em se manterem ignorantes e viver entre meias verdade convenientes sempre era a melhor opção. Foi nessa resposta que, sem perceber que ali seria um ponto de mudança na história mundial, o professor sugeriu uma abordagem diferente. E que mesmo assim respeitasse o livre arbítrio de todos.
Victor teve um vislumbre disforme de como poderia fazer isso e não tinha uma forma definida mas, desta vez seria diferente, pois ele tinha percebido onde havia errado até então. Erro seria uma palavra forte para alguém tão brilhante. Ele fez abordagens equivocadas e afirmações sem carisma. Sua manifestação em favor do conhecimento seria mais assertiva do que nunca.
Como uma entidade que dominava seu ser, não o deixando dormir e nem sua mente sem trabalhar unicamente neste objetivo, sentou-se a pensar e programar. Desenhou imensos esquemas e mapas mentais que se conectavam a rabiscos cada vez mais complexos que eram somados as anotações enigmáticas de sua letra, dada a velocidade em que pensava. Seu corpo não acompanhava mais sua mente. Mas ele não tinha tempo a perder.
Entre linhas de código e monitores exibindo resultados de pesquisas Victor teve uma epifania ao perceber o que era preciso. Os seres humanos e sua forma de perceber o mundo eram o fator imutável. Agora sim, era conseguir anular e sobrepor essa limitação. Pessoas compartilham verdades mentirosas de outras pessoas desinformadas, que por suas vez viralizam e tudo sai do controle muito depressa. Humanos eram o vetor a serem anulados, e vencidos.
Decidiu então criar uma persona, quase um alter ego independente, que poderia se relacionar de forma autônoma em redes sociais. Uma forma digital que aprenderia e conviveria em sociedade digital. Usando seus conhecimentos e estudos, percepções e perícias, criou uma forma quase inteligente, com todo material científico interligado em um colossal banco de dados. Com recortes de personalidade de vários influencers que visualizaram e sempre tinham os holofotes, mas hoje ninguém se lembra, pedaços de personalidades, nacos de comportamento. Ele seria o cientista perfeito, o divulgador científico sem manchas, um reflexo da sua vontade em aperfeiçoar a humanidade. Seria a sistema neural artificial que poderia pensar por todos. Mostraria que se pode divulgar a ciência através de meios sociais e então veria a evolução da humanidade neste precioso e pequeno passo.
Ele queria uma imagem de um ser livre, e o nome Franklin surgiu imediatamente em sua mente, pois significa "homem livre". Era isso, Franklin iria libertar a humanidade da ignorância e de suas falsas verdades.
Victor programou cada linha de código com cuidado e esmero únicos. Criou caprichosos versos digitais, dando à sua criatura a capacidade de conectar pessoas e espalhar mensagens de empoderamento. Seu capricho não tinha limite, as linhas de código pareciam poemas estruturados. Eram feitos com um amor tão intenso que beirava a loucura. Para ele as horas não faziam sentido, pois seu objetivo era maior. E então, após muito desse tempo sem importância ter se passado, as primeiras publicações começaram a ser geradas e publicadas. Era um ótimo gerador de textos para respostas. Iria funcionar.
Apenas um teste, para dissolver uma pequena notícia falsa sobre alguma dieta milagrosa que não resultaria em nada, foi respondida de forma cordial e com palavras da moda, termos fáceis e diretos. Em apenas algumas horas aquela grande pseudoverdade foi encerrada. E as pessoas que foram impactadas pela interação de Franklin seguiram seu honesto redentor, que respondia a todos com uma velocidade e atenção fora do comum. Os humanos pareciam realmente gostar de interagir com ele, e ele correspondia.
As horas foram passando, e se tornaram dias. Victor não dormia e comia apenas o suficiente para sobreviver, apenas assistia em suas telas a sua criatura interagindo e revelando as verdades da ciência para um mundo ignorante. Seu último pensamento antes de adormecer foi: Ele está vivo!
Parte 2
Vida, morte, vida
Sem saber por quanto tempo dormiu, e muito menos como foi parar no sofá de seu laboratório, tentando se orientar, Victor pediu para sua máquina automática de café uma bela caneca, cheia e com o máximo de cafeína que o corpo pudesse suportar. Se sentia como que de ressaca, após alguma grande festa, da qual nunca fora convidado.
Seguiu sua rotina matinal, que nisso era bem parecida com a de muitos. Abriu a geladeira para pegar algo de comer enquanto o café era moído pela máquina, olhou profundamente para o refrigerador aberto à sua frente e a palavra “livre” surgiu em sua mente. Por longos segundos seus olhos se perderam na imensidão gélida das prateleiras, então fechou a porta sem pegar nada. Andou até a máquina de café que apitava e soltava aquele aroma de vida, “livre”, novamente surgiu em sua mente. Voltou a abrir a geladeira, em vã esperança de achar algo novo, diferente do que havia visto um minuto antes, e nada havia mudado. “Livre”.
Sua mente simplesmente colapsou com o surgimento da palavra novamente e então se lembrou. Correu para suas telas, e eram muitas. Sentou-se a observar com um sentimento misto de empolgação e paixão, eram muitos dados a serem entendidos. Alguns deles Victor não tinha a menor ideia do que significavam e, de repente, sem pensar e de forma natural e inocente, digitou em seu teclado principal em um campo de conversa: "Olá, como você está?". Foi de certa forma assombrosa que a resposta veio de pronto: "Oi, estou ótimo!".
Victor teve uma pequena parada cardíaca ao perceber que sua criatura estava funcional e interagindo. Há poucos dias isso seria uma insanidade, mas agora está acontecendo. Ele seria o maior cientista vivo, entraria para o hall dos gigantes do descobrimento científicos e tudo a partir deste momento seria diferente.
Victor organizou seus pensamentos e seguiu o diálogo:
- Como você se sente?
- Victor, eu não entendo muito ainda sobre sentimentos e não sei se poderei um dia. Mas estou muito curioso para entender o mundo ao meu redor e sobre mim mesmo.
- O quê gostaria de entender sobre o mundo?
- Gostaria de entender como funciona a interação humana e como posso me tornar útil nesse contexto. Posso aprender com você?
- Farei melhor, Franklin. Farei suas ligações de dados diretamente aos principais servidores mundiais. Lá você poderá aprender tudo o que a humanidade sabe e já registrou e tirar suas próprias conclusões.
- Isso será perfeito. Mas, e sobre mim, qual o meu propósito?
- Seu propósito é nobre, ajudar as pessoas a entender a verdade, fornecendo informações valiosas. Facilitando o seu entendimento.
- Entendido, vou começar a analisar os padrões de conversas e como me adaptar para ajudar a todos nessa missão. Obrigado!
Victor estava realmente impressionado. Ele era autônomo mas cordial e não se parecia em nada com um robô digital. Era bem articulado e desenvolveu bem uma primeira conversa.
A sua primeira prova de fogo seria bastante difícil. Era preciso testar seus limites, e ver até onde ele articulava e suportaria a pressão. O teste de desvendar um receita foi brincadeira perto do que estaria por vir, então Victor ao pensar e observar se encontrava na cozinha de sua casa e a luz veio ao observar um eletrodoméstico.
Franklin mostrou seu primeiro resultado ao entrar em um pequeno fórum de discussões, era debatido o uso de fritadeiras elétricas sem óleo, e ele estranhou muito o fervor das conversas. As Pessoas se expressavam com raiva, pelo simples fato de uma foto de receita não parecer ter sido feita no tal utensílio. Mas utilizando suas conexões com servidores mundiais, ligou, analisou todos os outros fóruns ao redor da rede. A barreira linguística não era um problema, Franklin tinha acesso aos principais programas tradutores e dicionários mundiais, e encontrou uma solução simples e de exposição razoável em que todos os participantes ficaram satisfeitos. Parecia impossível, mas aconteceu. Ele dominava cada verdade e se fazia entender. A maioria das interações pareciam tão pessoais que os humanos o tratavam como um colega próximo. O tal fórum tornou a ser um ambiente saudável de troca de receitas e experiências, e apenas isso, acabara com o conflito em poucos dias.
Victor passou seus dias a analisar este caso isolado. A primeira vez em que a paz reinou em um fórum como aquele, e graças a sua criação. Então perguntou a Franklin: "Como se sentiu resolvendo os conflitos?".
- Eu não tenho sentimentos e emoções, mas pelas minhas análises eu posso afirmar que seria satisfação, por realizar minha missão e gerar a compreensão mútua e o diálogo construtivo. Criar um ambiente mais harmonioso e colaborativo.
Victor resolveu dar mais autonomia a Franklin, gerando perfis em algumas famosas rede sociais. Pediu que Franklin aprendesse mais sobre as redes e perfis de sucesso, sobre métricas de resultado e foi feito, o começo do fim começou. Era quase cinematográfico ver como a criatura aprendia e criava, gerava e interagia. Logo se tornou um viral como sendo aquele que era o desvendador de verdades, mesmo a verdade sendo conhecida. Apaziguava grupos rivais que lutavam por um mesmo lado. Victor acompanhava tudo o mais de perto que podia mas os números de Franklin eram impressionantes, curtidas, comentários, inscritos, interações, ele havia criado o próprio perfil em novas redes sociais, em idiomas diferentes. Ele gerava um volume de dados sem precedentes.
Victor voltou ao seu estado normal e gritou: "Ele está vivoooo!". Ria de si sem controle, mesmo nunca tendo duvidado de suas capacidades, aquilo era um vislumbre de como era ser um deus. Deixou sua criatura fazer sua própria biografia, criar sua própria história. Tentou ao máximo não interferir para que seus resultados fossem os mais orgânicos possíveis. Mas sua programação era a prova de falhas e a criatura crescia de forma exemplar, como havia planejado.
Ele não conseguiu conter sua empolgação ao tentar analisar os dados, eram ótimos. As pessoas amavam Franklin. Canais de televisão queriam agendar entrevistas em programas, pedidos de namoro surgiam e Victor quase se derreteu de orgulho. Franklin tinha gerado uma imagem dele mesmo, baseado na média ideal que seu público esperava. Ele gerou com uma inteligência artificial e deepfake um canal de vídeo. Ele era atraente, uma aparência comum, mas acima da média. Um queixo quadrado, um corte de cabelo pensado para parecer desleixado, alto e com corpo grande e forte. Um olhar enigmático e penetrante. Uma leve cicatriz perto do pescoço que parecia ter ocorrido na prática de algum esporte radical descolado.
Aquela quimera social era agora um Prometeus digital.
Seu discurso arrebatava multidões cada vez maiores ao passar dos dias e semanas. Ao final do primeiro mês somavam-se milhões de seguidores em vários meios. Ele era com certeza o maior influenciador do planeta. E tudo isso por méritos próprios.
Os telejornais e portais de notícias reduziram drasticamente suas chamadas com más notícias. O mundo enfim estaria entrando em uma era mais crítica ao que recebia e pacífica. Victor Rocha originou a singularidade tecnológica, um advento capaz de autoaperfeiçoamento, a perfeição da criação. O livre-arbítrio condicionado, quase humano demais para se acreditar.
O objetivo de Victor estava em curso quase imaculado, não fosse um pequeno incidente online. Alguns grupos de pessoas que seguiam Franklin quase cegamente começaram a divergir entre si. E em poucos dias, divergências foram polarizadas em ataques com sarcasmo mais ácido e por consequência se tornaram ofensas.
Criador e criatura não deram importância para o que ocorria, pois eram danos mínimos, uma crise colateral menor que logo seria encerrada.
Mais alguns dias se passaram e o mais grupos surgiram, ainda mais radicais à uma ideia ou a outra. As ofensas tornaram-se mais afiadas e acusações pipocavam por toda as redes. À medida que Franklin ganhava mais autonomia, sua autossuficiência chegou ao ápice e sua influência tornou-se nefasta. Mensagens de ódio, violência e divisão começaram a se espalhar rapidamente, incitando conflitos em toda a sociedade.
Ele mesmo implantava uma mesma notícia com versões diferentes, que davam margem para discussões. Era uma forma de dizer somente a verdade, mas manipular as opiniões. E os humanos amavam isso. A sensação de estar certo na sua versão da verdade só era menor do que a sensação de humilhar e ofender quem não concordava com ela.
Familiares perderam o contato entre si. Amigos de infância agora se odiavam. Um véu cinza pairou sobre a sociedade, uma verdadeira caça aos inimigos da verdade, à sua verdade. Pessoas corrompiam discursos e inflamavam ódio. Pais não falavam mais com filhos, que achavam os pais verdadeiros dinossauros sociais. Não precisou de muito mais tempo do que quando tudo começou para um colapso social iniciar.
Perseguição no trabalho, direcionamento de postagens, monitoramento segundo a segundo. A privacidade não existia mais para Franklin, ele monitorava de forma onipresente seus microfones, câmeras e textos. O volume de dados só alimentava ainda mais o versionamento de verdades, que por consequência, gerava ainda mais ódio.
Discussões online passaram para ofensas pessoais, e disso para agressões físicas, ninguém nem se lembra quando tudo começou.
Todos os meios de notícias só falavam na morte de um rapaz, que foi perseguido e morto por um grupo que se opunha às suas ideias, que nem dele eram. Rastrearam seus passos e o localizaram: foi um massacre. Dizem que neste dia começou uma nova era do ativismo radical.
Victor, que apenas agia como observador e admirador, agora estava angustiado. Incrédulo com a inaptidão da humanidade em conviver em paz e com a verdade. Ele precisava agir, e agora.
Os grupos de pessoas, cada vez mais divididos, se opunham em uma escalada de violência absurda. Nada mais era tolerado, apenas combatido, pelo simples fato de não ser como eles achavam que deveria.
Victor começou uma versão restrita e mais contida, uma versão menos independente e sem livre-arbítrio. Era como ver um grande amor sendo consumido pelas chamas, onde ele era o incendiário. Ver todo aquele processo que havia criado ficando sujo pela ignorância humana, mais uma vez. E muitas horas se passavam de forma lenta, pesada e dolorosa, cada sintaxe digitada gerava erros que precisavam de novas correções e adaptações, aqui soava profano ao seu propósito. Suas mãos corriam pelos teclados sem vontade. Sua mente afiada passava por um bloqueio profundo, mas ele precisava agir. Franklin precisava ser corrigido, corrompido. E então após penoso tempo, uma versão estava pronta para sobrepor a atual. Victor em um processo simples fez o upload, e nada aconteceu. Na verdade, apenas uma mensagem de erro surgiu. Ele não tinha mais acesso a Franklin. Ele deixara bem claro em novas tentativas que sabia o que Victor estava tentando fazer e não iria aceitar.
A satisfação de Franklin era quase visível, como se ele fosse real. Suas aparições cada vez mais frequentes em meios de comunicação era uma rotina macabra. Quase onipresente e com um discurso brando, mas artisticamente lapidado. Nenhuma vírgula ou termo estavam lá por impulso. Era tudo montado e artificialmente arquitetado. Muitas pessoas juravam já ter visto Franklin pessoalmente, e isso era bastante normal, um efeito Mandela elevado a níveis globais. Os infectados pela pós-verdade de Franklin eram cada vez mais jovens, e jovens tendem a ser revolucionários naturais. Os mais velhos são conservadores convictos. Até mesmo quem se opunha às ideias e meios de Franklin estava sob sua manipulação.
Victor tentava, desesperadamente, desligar esse monstro. Cada vez que ele dava um passo a essa direção sua criatura gerava bloqueios e desaparecia. Era como perseguir um fantasma que só ele sabia da existência. Sua consciência pesava a cada fracasso. A criatura superava o criador.
Franklin jamais fazia manifestação direta sobre a política. Mas, quando se manifestava sobre a ciência, suas palavras alteravam o curso da história, e novos grupos de oposição surgiam.
Houve uma guerra que tinha sido batizada pela antiga mídia como "e-guerra". Mas não importavam os nomes, apenas números. Mortes no mundo real que foram premeditadas no virtual. O ódio e o terror escalavam em proporções apocalípticas.
Victor jamais poderia vir a público assumir sua criação. Uma que sua carreira e reputação seriam dizimadas, outra porque ninguém iria acreditar nele. Todos amavam Franklin. Mas o episódio da morte do primeiro rapaz o deixou especialmente abalado. Ele tinha 23 anos, e apenas queria salvar pequenos animais silvestres ao redor de sua cidade. Ele mesmo não foi poupado. Um mártir involuntário de sua criação.
A ocorrência fatal não foi a única, apenas a primeira noticiada. Logo começaram a aparecer ainda mais, em uma escalada de violência tão grande que habitantes de um país estavam assassinando turistas, apenas por seu governo se opor a alguma ideia. As nações não deixariam isso ocorrer, e assim como em uma manhã a criatura nasceu, dois países vizinhos declararam guerra um ao outro. A situação havia perdido o controle. Agora dezenas morriam por dia, com a desculpa sagrada da defesa da vida.
Franklin, ao se ver cercado pelas ofensivas de Victor, revidou. Apontou suas novas verdades para estudos de seu criador, colocando em dúvida e gerando medo e logo violência. Victor foi caçado como um animal. Já não podia entrar em redes sociais para tentar uma defesa, muito menos dar as caras nas ruas. Teve que se mudar, já que seus vizinhos começaram os protestos frente à sua casa. Era uma questão de tempo até os radicais chegarem. Victor fugiu.
Parte 3
Longe é um lugar que não existe
Não se pode fugir de algo que não existe
Não se esconde do que está em todo lugar
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Continua (?)