Dharma, Marvel e mais...

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Pablo Sica Adesivos

sexta-feira, 1 de maio de 2026

God Is Dead, Asleep

The great creator, after finishing his great work on Earth, rested. Actually slept, for real, and has been at it ever since.
There was a time when humanity was truly losing the plot. The creator had made it clear that only he was to be worshipped, but many humans disagreed and worshipped whatever suited them.
Some brave angels — three, to be precise (there were four, but one pulled a nasty stunt and they figured it was best to remove him from the group) — had to wake him up, because Earth was a mess and humans were worshipping other gods. This annoyed him, though nothing compared to the deep, burning hatred of having been woken up.
He ordered everything destroyed without much ceremony. The angels tried to argue — that not every man, and that it was worth saving something and giving the righteous a chance. They asked how they should carry out the order, for they would never dare disobey or question beyond his own benevolence — and he, even more pissed off, said: "Hell if I know, fill the whole damn thing with water and let them sort it out. Don't wake me up again."
Some sorted it out, and the poor angels had very little time to come up with some excuse to try to salvage the work — but without disobeying the creator. Never.
After that, having not really solved much, they considered waking him again — things were still a complete mess — but thought better of it. The three worn-out angels thought and hatched a solid plan: they sent someone down to try to fix things, an immaculate entity, the creator's own offspring, and no one would doubt or question any teaching coming from such a kind and wise demigod. But not only did he fail to fix the situation and nobody understood a word the nice guy said — they nailed the poor fellow to a piece of wood.
The angels were not only deeply disappointed by the misunderstanding, but terrified of the earful the creator would give them — and for good reason, since he woke up from the noise coming from below. Luckily, he saved the nice guy and left him in peace up there.
"It's best not to wake him before he's had a proper rest. He might want to end it all, and this time it'll be for keeps," said Saint John, a nice guy and friend of the other nice guy, adding: "He locked himself in the room with seven locks and must have taken something — because the only way to wake him now is with trumpets — and he's going to be absolutely furious."

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Deus está morto, de sono

O grande criador, após fazer seu grande trabalho na Terra, descansou. Dormiu mesmo, para valer, e segue assim até então.
Houve uma certa vez que a humanidade estava mesmo perdendo a linha. O criador havia falado que somente ele poderia ser cultuado, mas muitos humanos discordavam e cultuavam o que lhes convinha.
Alguns valentes anjos — três, para ser mais preciso (eram quatro, mas um aprontou uma arte brava e acharam melhor tirá-lo do grupo) — tiveram que acordá-lo, pois a Terra estava uma bagunça e os humanos estavam adorando outros deuses. Isso o deixou chateado, nada em comparação ao profundo ódio de o terem acordado.
Mandou destruir tudo sem muita cerimônia. Os anjos tentaram argumentar, dizendo que nem todo homem, e que valia a pena salvar alguma coisa e dar uma chance aos corretos. Perguntaram como poderiam seguir a ordem — jamais ousariam desobedecer ou questionar além da própria benevolência — e ele, ainda mais puto, disse: "Eu sei lá, enche aquela merda toda de água e eles que se virem. Não me acordem mais."
Alguns se viraram, e os coitados dos anjos tiveram pouco tempo pra inventar alguma desculpa para tentar salvar a obra, mas sem desobedecer o criador — jamais.
Depois disso, não tendo resolvido muita coisa, cogitaram acordá-lo novamente — a situação estava mesmo uma bagunça —, mas acharam melhor não. Os três sofridos anjos pensaram e tramaram um bom plano: mandaram alguém para tentar resolver, uma entidade imaculada, cria do criador, e ninguém duvidaria nem questionaria qualquer ensinamento vindo daquele semideus tão bondoso e sábio. Mas, além de não conseguir resolver a situação e de ninguém ter entendido nada do que esse cara legal falou, pregaram o pobre coitado num pedaço de madeira.
Os anjos não só se decepcionaram muito com o equívoco, mas temeram muito a bronca que o criador iria dar neles — e com razão, pois ele acordou com o barulho que vinha de baixo. Por sorte, salvou o cara legal e o deixou em paz lá por cima.
"É melhor não acordá-lo antes de ele estar bem descansado. Ele pode querer acabar com tudo, e desta vez será para valer", disse São João, um cara legal amigo do outro cara legal, e adicionou: "Ele se trancou no quarto com sete fechaduras e deve ter tomado algum remédio — pois, para acordá-lo, somente com trombetas — e ele vai ficar bem puto!"


Escrevi este pequeno conto lembrando da minha noite mal dormida de ontem, e enquanto viajava pensando no texto de deus está morto que vi há uns tempos. Me surgiu a ideia e quis transcrever com uma linguagem meio conto infantil, meio O Guia do Mochileiro das Galáxias e uma pitada de Belas Maldições. Foram 30 minutos de escrita bem intensos e divertidos. Espero um dia poder aumentar este conto e incrementar ainda mais a narrativa louca e inusitada que me ocorreu hoje.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

O Retorno ao Essencial: Por que decidi habitar a internet novamente?



Após 15 anos de silêncio, reencontro este espaço. Há algo de profundamente revelador em ler o que o nosso "eu do passado" escreveu; é como encontrar uma velha vitrola, resgatar o disco de Top Gun (meu primeiro vinil não infantil) e sentir o impulso de recomeçar uma coleção.

​Meu retorno aos blogs não é apenas um exercício de nostalgia, mas uma resposta à percepção de que nos cercamos de tecnologias desnecessárias e, muitas vezes, predatórias. Eu, que outrora defendi entusiasticamente cada inovação, vi-me forçado a aplicar um filtro rigoroso. Percebi que o excesso tecnológico atua como uma âncora, impedindo a sensação de liberdade.

A Conveniência da Vigilância

Vivemos sob uma "cegueira confortável". Dispositivos vêm configurados para rastrear cada passo sob o pretexto de "melhorar a experiência". Relógios inteligentes monitoram sua saúde, sim, mas o objetivo final é mapear seu estilo de vida para converter sua rotina em dados de consumo. Acredite: ninguém — nem você mesmo — dedica tanta atenção aos seus hábitos quanto as fabricantes de hardware.

​Nos últimos 20 anos, transitei de um entusiasta de dispositivos para um vigilante do desperdício de tempo. Hoje, vivo bem sem o Instagram. Mantenho o Facebook apenas pelo Marketplace e contatos pontuais. Minha maior atividade é no Pinterest, que ironicamente parece me punir com excesso de anúncios por eu não estar entregando minha atenção a outras redes da "família".

O Paradoxo do Hardware

A vida fora das redes sociais revela uma verdade incômoda: sem o ciclo vicioso do consumo de conteúdo, o smartphone torna-se quase obsoleto. Sem a necessidade de "rolar o feed", as telas gigantes, câmeras cinematográficas e conexões ultra-rápidas perdem muito de seu propósito original.

​Quando deixei o Brasil, desfiz-me do supérfluo. Fiquei com o funcional: celular, smartband e Kindle. Três anos depois, a configuração mudou pouco, mas minha percepção mudou tudo. O ponto de virada foi um lapso de absurdo: o dia em que cometi a "heresia" de checar a notificação no relógio e olhar as horas no celular.

O Usuário como Ameaça

A rebelião definitiva veio em 2025. Ao tentar me conectar com uma pessoa que admirava e não via há anos, o Instagram alertou-a de que meu perfil era uma "ameaça" à plataforma devido aos meus comportamentos. A pergunta que fica é: não podemos mais questionar narrativas ou nos manifestar contra governos?

​A resposta parece ser negativa. Estamos sendo rastreados e segregados em bolhas. Quando tentamos romper essas barreiras ou deixamos de ser "bons consumidores", o sistema nos identifica como anomalias.

​Mais do que o orgulho pessoal de ser rotulado como uma "ameaça" pela Meta, ficou a lição: é preciso desconectar para manter o foco no que realmente importa.

​Mas, afinal, o que resta de importante quando não estamos postando?

​Isso é assunto para o próximo texto.

​Até lá.

(Imagem inicial feita no NanoBanana)