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Pablo Sica Adesivos

domingo, 1 de fevereiro de 2026

O Retorno ao Essencial: Por que decidi habitar a internet novamente?



Após 15 anos de silêncio, reencontro este espaço. Há algo de profundamente revelador em ler o que o nosso "eu do passado" escreveu; é como encontrar uma velha vitrola, resgatar o disco de Top Gun (meu primeiro vinil não infantil) e sentir o impulso de recomeçar uma coleção.

​Meu retorno aos blogs não é apenas um exercício de nostalgia, mas uma resposta à percepção de que nos cercamos de tecnologias desnecessárias e, muitas vezes, predatórias. Eu, que outrora defendi entusiasticamente cada inovação, vi-me forçado a aplicar um filtro rigoroso. Percebi que o excesso tecnológico atua como uma âncora, impedindo a sensação de liberdade.

A Conveniência da Vigilância

Vivemos sob uma "cegueira confortável". Dispositivos vêm configurados para rastrear cada passo sob o pretexto de "melhorar a experiência". Relógios inteligentes monitoram sua saúde, sim, mas o objetivo final é mapear seu estilo de vida para converter sua rotina em dados de consumo. Acredite: ninguém — nem você mesmo — dedica tanta atenção aos seus hábitos quanto as fabricantes de hardware.

​Nos últimos 20 anos, transitei de um entusiasta de dispositivos para um vigilante do desperdício de tempo. Hoje, vivo bem sem o Instagram. Mantenho o Facebook apenas pelo Marketplace e contatos pontuais. Minha maior atividade é no Pinterest, que ironicamente parece me punir com excesso de anúncios por eu não estar entregando minha atenção a outras redes da "família".

O Paradoxo do Hardware

A vida fora das redes sociais revela uma verdade incômoda: sem o ciclo vicioso do consumo de conteúdo, o smartphone torna-se quase obsoleto. Sem a necessidade de "rolar o feed", as telas gigantes, câmeras cinematográficas e conexões ultra-rápidas perdem muito de seu propósito original.

​Quando deixei o Brasil, desfiz-me do supérfluo. Fiquei com o funcional: celular, smartband e Kindle. Três anos depois, a configuração mudou pouco, mas minha percepção mudou tudo. O ponto de virada foi um lapso de absurdo: o dia em que cometi a "heresia" de checar a notificação no relógio e olhar as horas no celular.

O Usuário como Ameaça

A rebelião definitiva veio em 2025. Ao tentar me conectar com uma pessoa que admirava e não via há anos, o Instagram alertou-a de que meu perfil era uma "ameaça" à plataforma devido aos meus comportamentos. A pergunta que fica é: não podemos mais questionar narrativas ou nos manifestar contra governos?

​A resposta parece ser negativa. Estamos sendo rastreados e segregados em bolhas. Quando tentamos romper essas barreiras ou deixamos de ser "bons consumidores", o sistema nos identifica como anomalias.

​Mais do que o orgulho pessoal de ser rotulado como uma "ameaça" pela Meta, ficou a lição: é preciso desconectar para manter o foco no que realmente importa.

​Mas, afinal, o que resta de importante quando não estamos postando?

​Isso é assunto para o próximo texto.

​Até lá.

(Imagem inicial feita no NanoBanana)

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